Saiba tudo sobre a ocitocina

As mulheres estão cada vez mais informadas sobre seus corpos, sempre buscando conhecimento sobre a gestação, o parto e os cuidados com o bebê. Assim, a ocitocina está sempre em pauta, devido à sua importante relação com o momento do parto e da amamentação.

Quer saber o que é a ocitocina, como ela é produzida e sua importância? Então acompanhe nosso artigo, vamos esclarecer todas essas dúvidas!

O que é a ocitocina?

A ocitocina é um hormônio produzido em uma região do cérebro conhecida como hipotálamo. Após ser sintetizada, esse hormônio é armazenado em uma glândula chamada de hipófise posterior, neurohipófise ou pituitária. A ocitocina é então liberada na corrente sanguínea, na qual atua através dos receptores presentes no corpo.

Entre os principais efeitos da ocitocina no organismo estão a melhora do humor, a facilidade na interação social, a diminuição da ansiedade e o aumento da proximidade no relacionamento do casal.

No homem, este hormônio tem a capacidade de diminuir a agressividade, deixando-o mais mais sociável, amoroso e generoso. A ocitocina tem sua atuação limitada porque na maioria das vezes é bloqueada pela ação da testosterona.

Já na mulher seu papel mais importante é durante o trabalho de parto e a amamentação.

Como a ocitocina é produzida na gestação?

A ocitocina é apelidada de hormônio “tímido” porque para que a ela seja produzida é necessário que a gestante esteja em um ambiente tranquilo, que ela se sinta segura e confiante. De preferência com pouca iluminação, pouco barulho e poucas pessoas presentes.

Dependendo da maneira como a futura mãe é recebida na maternidade, a secreção de ocitocina pode ser inibida, porque ela não é liberada na presença da adrenalina, o hormônio do estresse e do medo.

Por isso a importância de criar condições adequadas para liberação da ocitocina, oferecendo o suporte à gestante, respeitando sua vontade e informando todos os procedimentos que estão sendo feitos em seu corpo.

Assim que o bebê nasce, há liberação em massa do hormônio, que funciona como base para o desenvolvimento do vínculo, do afeto e do amor entre mãe e filho. No período após o parto, o corpo da mulher continua produzindo a ocitocina.

Nessa fase, ela é importante para evitar a hemorragia pós-parto (puerperal). E a atuação da ocitocina não acaba nesse momento. Durante a amamentação, é a responsável pela ejeção do leite do peito materno enquanto o bebê faz a sucção do mamilo.

Quais as práticas ajudam na produção de ocitocina e no parto normal?

Algumas práticas simples são responsáveis por auxiliar a produção da ocitocina e, consequentemente, conduzir um parto normal tranquilo, com uma experiência única para a mulher. A seguir vamos falar melhor de algumas delas, confira.

Sessões de acupuntura

A acupuntura faz parte da antiga medicina chinesa tradicional, e consiste em colocar agulhas metálicas em pontos específicos do corpo da gestante, procurando causar um efeito anestésico, ou seja, aliviar a dor.

Na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, pesquisadores investigaram gestantes com até 41 semanas de gravidez. Esse estudo evidenciou que cerca de 70% das mulheres que realizaram pelo menos três sessões de acupuntura na semana final da gestação entraram em trabalho de parto de modo espontâneo e que o parto foi uma experiência menos dolorosa.

Prática de sexo regular

A prática de sexo regular faz com que o corpo produza não só a ocitocina, mas também outros hormônios relacionados ao prazer semelhantes a ela.

Além disso, quando o parceiro elimina o sêmen dentro da vagina, a mulher libera uma substância chamada de prostaglandina, que é responsável pelo amadurecimento do colo do útero, facilitando a dilatação e a passagem do bebê no momento do parto.

Estimulação dos mamilos

Quando os mamilos da mulher são estimulados, eles enviam um estímulo ao cérebro para produzir e secretar mais ocitocina no sangue, com isso as contrações se tornam mais fortes, mais frequentes e regulares, facilitando o trabalho de parto.

É indicado que a gestante faça alguns movimentos semelhantes ao de sucção da mama pelo bebê, massageando a área dos mamilos por cerca de cinco minutos todos os dias, especialmente nas semanas finais e no dia do parto. 

Qual a relação entre parto humanizado e a ocitocina?

Hoje em dia há uma atenção maior voltada ao parto humanizado, no sentido de desconstruir a visão atual de que o parto é doloroso e sofrido para a mulher. A humanização do parto propõe transformar essa visão da mulher sobre o parto, enfatizando que se trata de um momento único e saudável.

Além disso a linha de pensamento da humanização do parto ressalta que esse é um processo fisiológico e natural, no qual a protagonista é a gestante e seu bebê. Um vínculo muito forte entre a mãe e o bebê é formado na hora do parto, e todas as experiências da gestante com sua gravidez e durante o parto vão influenciar e impactar diretamente na formação desse laço. Se a gestante não for bem recebida pela equipe da maternidade o vínculo da mãe e do bebê pode ser prejudicado.

Uma das chaves essenciais para tornar o vínculo afetivo entre mãe e filho é a ocitocina, que tem seu pico de liberação durante o trabalho de parto. Ela é produzida não só nesse momento, mas em todas as atividades que dão prazer. Pode ter sua liberação aumentada durante as situações mais íntimas como dar um abraço ou um beijo no bebê.

É um hormônio que está muito ligado ao parto e a amamentação, mas é sempre bom ressaltar que a ocitocina não é exclusivamente feminina, ou seja, não é somente a mulher que produz ocitocina. Os homens também produzem o hormônio em situações prazerosas, mas em quantidades diferentes das mulheres.

A ocitocina é, inclusive, popularmente chamada de “hormônio do amor”, já que está muito relacionada à sensação de bem-estar físico, mental e emocional e ao vínculo entre mãe e bebê.

Qual a importância da ocitocina na hora do parto?

A ocitocina desempenha um papel muito importante no trabalho de parto. Esse hormônio é responsável por iniciar e manter as contrações uterinas, de forma rítmica. A ação da ocitocina no colo uterino provoca uma dilatação de seu canal, evoluindo para o trabalho de parto com a descida do bebê através da pelve feminina.

Durante o acontecimento do parto a ocitocina é liberada de forma lenta na corrente sanguínea, como se fossem pulsos que aumentam e diminuem sua concentração. Isso explica a semelhança das contrações uterinas com as ondas do mar, elas vêm, param por um tempo, e voltam, repetidamente.

O organismo da mulher consegue controlar muito bem esse mecanismo de liberação da ocitocina, de forma que o próprio corpo vai se adaptando as mudanças provocadas por esse hormônio, não só no útero com as contrações, mas na mama para a descida do leite e no corpo todo em geral aumentando a tolerância à dor.

No momento do parto, quando ocorre a expulsão do bebê, o organismo materno é inundado por uma “enxurrada de hormônios” e, dentro desses hormônios, estão a ocitocina e a adrenalina, que se equilibram até o momento final com a saída do bebê do útero.

Mãe e filho ainda estão ligados pela placenta e nesse momento muitos dos hormônios que estão no corpo materno vão para o bebê, sendo muito importante esperar cerca de 3 minutos para a clampagem do cordão. 

É extremamente importante a passagem de ocitocina da gestante para o bebê, porque através desse hormônio há uma maior facilidade em criar as relações sociais entre os dois.

Alguns fatores influenciam positivamente na secreção de ocitocina durante o trabalho de parto, o que faz com que o corpo materno comece a enviar sinais para o cérebro, liberando o hormônio para todo o corpo. Entre eles estão:

  • Promover um ambiente acolhedor silencioso e com pouca luz (penumbra);
  • Privacidade e acesso restrito às pessoas que entram no quarto;
  • Ambiente de confiança, de disponibilidade e de respeito;
  • Estímulo dos mamilos através de movimentos semelhantes ao de amamentação.

Vale ressaltar que a ação da ocitocina não acaba logo após o parto. Esse hormônio é fundamental para promover a contração do útero ao final do trabalho de parto, evitando assim uma possível hemorragia materna.

Qual a importância da ocitocina na hora da amamentação?

A ocitocina desempenha um papel muito importante além das contrações uterinas e da prevenção a hemorragias, o do aleitamento materno. Durante a amamentação, enquanto o bebê está sugando o mamilo, um estímulo é enviado ao sistema nervoso e chega até o hipotálamo, provocando a secreção de ocitocina em forma de pulsos.

Estes pulsos, por sua vez, provocam a produção de prolactina na glândula hipófise anterior (adenohipófise). O hormônio da prolactina é responsável por estimular as células secretoras da mama a produzir o leite. Já a ocitocina tem o papel de estimular as células não secretoras que rodeiam os alvéolos mamários, fazendo com que o tecido mamário se contraia e o leite possa ser ejetado pelas glândulas mamárias até a boca do bebê. 

No entanto a liberação de ocitocina nem sempre ocorrerá apenas durante a amamentação. Ao ouvir o bebê chorar, ao abraçá-lo, sentir algum cheiro ou pelo simples fato de lembrar dele faz com que a ocitocina seja liberada e por isso o leite suba. 

Ainda nos primeiros dias do aleitamento, muitas mulheres relatam sentir contrações uterinas ou “espasmos”. São causados pela ação da ocitocina e ainda que possam ser bastante dolorosas no começo, são muito importantes para a recuperação no período pós-parto, já que ajudam com que o útero se contraia e regresse ao seu tamanho anterior à gestação. 

Existem outras funções importantes da ocitocina?

Melhora as relações sociais

A ocitocina tem função importante na melhora do convívio social, na percepção das emoções e da sensibilidade. A ação desse hormônio exerce efeitos positivos para ajudar no tratamento de pacientes com autismo e esquizofrenia, em casos indicados pelo psiquiatra. 

Ajuda a combater a depressão e ansiedade

Este hormônio pode adequar a expressão das emoções, diminuindo a sensação de estresse, além de melhorar o humor e o convívio com as pessoas. 

Em alguns casos pode auxiliar o tratamento de depressão, ansiedade intensa e fobia social. Nessas situações, o uso da ocitocina também deve ser indicado pelo psiquiatra. 

Aumenta o prazer no contato íntimo

Acredita-se que a ocitocina tem função na melhora da libido e do desempenho sexual, agindo em conjunto com a testosterona, no homem, e a progesterona, na mulher, para a melhora do prazer e do interesse no contato íntimo. Além de facilitar a lubrificação vaginal e o alcance do orgasmo. O contato físico, não somente sexual, mas também através de abraços e carinhos são formas de aumentar a ocitocina sem precisar de medicação.

O que é a ocitocina sintética?

Apesar da ocitocina ser naturalmente produzida pelo corpo, há também uma versão sintética, ou seja, feita em laboratório. A ocitocina sintética é indicada por alguns médicos para estimular as contrações e induzir o parto quando esse processo não tem início espontâneo.

A princípio, a ocitocina sintética não é recomendada a ser usada em um parto regular, no qual tudo está acontecendo fisiologicamente. E, se houver a necessidade de ser adotada, é importante ressaltar que deve ser usada com muito critério, administrada aos poucos e aumentando gradativamente a quantidade aplicada. Se aplicada em uma única vez e em grande quantidade, pode provocar contrações muito intensas e dolorosas para a mulher.

Existe também outra forma de comercialização da ocitocina, na embalagem de spray nasal. Essa forma de administração do hormônio tem como objetivo auxiliar na amamentação, pela ejeção do leite. Porém, é sempre bom ressaltar que mesmo sendo um hormônio semelhante ao que o organismo produz, trata-se de um medicamento. Portanto é preciso a recomendação de um médico antes de fazer o uso.

Em quais situações é indicado o uso da ocitocina sintética?

Para entender melhor as indicações da ocitocina, é necessário compreender as fases do trabalho de parto e o que acontece com o corpo da mulher em cada uma delas. Embora seja um processo continuo, é conveniente dividir o parto em períodos para averiguar o avanço e se está tudo dentro do esperado. 

  • fase latente do trabalho de parto: período de tempo, não necessariamente continuo. É quando existem contrações uterinas dolorosas e alguma modificação das condições do colo do útero, como a dilatação, de até 3 cm. Sua duração é extremamente variável, uma vez que é difícil determinar o momento exato de seu início;
  • fase ativa do trabalho de parto: a fase ativa ou franco trabalho de parto, se inicia quando há a presença de contrações uterinas regulares (mínimo de duas em dez minutos de avaliação) e dilatação cervical progressiva a partir de 3 cm.

O momento de internação hospitalar deve ser retardado ao máximo se a gestante ainda estiver na fase latente do trabalho de parto, até que realmente esteja na fase ativa. Esta medida evita intervenções desnecessárias e propicia melhores resultados perinatais. Porém, quando a bolsa se rompe, mesmo sem o trabalho de parto de parto ter se iniciado, é um critério para internação.

Agora que foi explicado as fases do parto fisiológico podemos falar sobre a infusão de ocitocina artificial (sintética). O uso indiscriminado desse hormônio durante o trabalho de parto continua sendo associado a efeitos adversos na gestante e no bebê durante o nascimento. A infusão rotineira de ocitocina não deve ser realizada se o trabalho de parto estiver normal.

A aceleração do trabalho de parto com uso de ocitocina artificial deve ter indicação médica criteriosa nas situações em que houver o diagnóstico parada de progressão do trabalho de parto. Ou seja: o colo do útero não está dilatando na velocidade esperada para aquele momento ou as contrações não estão na frequência adequada.

A velocidade e quantidade de ocitocina injetada deve ser feita seguindo as contrações uterinas e exige o acompanhamento do médico obstetra, para avaliar a necessidade de aumentar ou diminuir a dose. Mas é muito importante que todo médico tenha a consciência de evitar procedimentos e intervenções desnecessárias.

Quais os prós no uso da ocitocina sintética?

  • dar início ao trabalho de parto quando não começa naturalmente;
  • normalizar a frequência e intensidade das contrações quando elas não estiverem eficazes e regulares;
  • acelerar o trabalho de parto quando a evolução não acontece da maneira mais adequada, de acordo com o partograma;
  • contrair o útero após o parto ou aborto, quando o sangramento está abundante e pode ocasionar hemorragias severas.

Quais os contras no uso da ocitocina sintética?

  • rotura do útero;
  • náuseas e vômitos;
  • contrações muito mais dolorosas;
  • hemorragia pós-parto;
  • dificuldades na oxigenação do bebê;
  • dano cerebral no recém-nascido;
  • arritmias cardíacas.

Muitas mulheres, principalmente pela falta de informação, no momento do trabalho de parto quando estão mais ansiosas, acabam permitindo que o médico utilize esse tipo de intervenção, que na maioria das vezes é realizada apenas para acelerar o trabalho de parto normal fisiológico sem a indicação correta. Isso pode transformar o momento único que é o parto em um procedimento acelerado e corriqueiro.

As dores intensas provocadas pela ocitocina sintética acabam, muitas vezes, desencadeando mais intervenções. Como o pedido de analgesia (uso de drogas para aliviar a dor) para suportar as fortes dores causadas pelo uso indevido deste hormônio, podendo chegar até a necessidade extrema de usar um fórceps para abreviar o parto.

Para a grande maioria das gestantes, a quantidade de ocitocina produzida pelo seu organismo é aquela necessária para o tempo de trabalho de parto de cada mulher.

Como explicado anteriormente, o tempo é muito variável e individual para cada fase, sendo que o trabalho de parto para algumas mulheres é rápido e para outras podem durar dias, dependendo das condições que a gestante é tratada na maternidade, do ambiente em que ela está no momento do parto, da presença de um acompanhante, do número de gestações anteriores etc.

A ocitocina sintética tem seu efeito benéfico e pode ajudar algumas mulheres no trabalho de parto. Especialmente as que estão tendo alguma dificuldade e não conseguiriam evoluir sem a ajuda do hormônio. 

Porém, como todo medicamento, seu efeito benéfico se dá quando seu uso é correto, ou seja, quando o diagnóstico de parada de progressão for feito adequadamente ou nas mulheres com um risco de hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em conseqüência de uma perda de sangue.

Portanto caso o médico faça a indicação da ocitocina sintética é importante que isso seja feito de acordo com orientações específicas baseadas em evidências científicas e em doses iniciais baixas para reduzir a probabilidade de efeitos adversos.

Como conversar com o obstetra sobre suas escolhas?

É importante que a mulher escolha seu obstetra após pesquisar sobre suas dúvidas, medos e inseguranças, e conversar muito com ele sobre os todos assuntos relacionados ao momento do parto. Há mulheres que não aceitam receber nenhum tipo de intervenção durante o trabalho de parto, mas é necessário entender que o médico, tanto quanto os pais, deseja o melhor para o a mãe o bebê.

Mas é claro, que como tudo na área da saúde, existem variações e abordagens diversas entre os obstetras, baseado em literatura médica, já que a medicina não se trata de uma ciência exata. Então, além de compreender e tirar as dúvidas é essencial que a gestante encontre um médico que se encaixe nas suas idealizações para o seu parto. Nem sempre o médico que está mais acostumado a consultar será o escolhido como o obstetra que fará o parto, e não existe razão de se envergonhar de perguntar e de conhecer outros profissionais que atendam suas expectativas.

Por fim, é importante que a gestante leia muito, procure se informar através de leitura em fontes confiáveis, baseadas em evidências científicas, para que ela decida o que é melhor para si e para o seu bebê. E que a conscientização sobre o parto humanizado seja cada vez maior, colocando a mulher como protagonista desse momento único, que se tornará uma experiência única e maravilhosa para a nova mãe. 

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